Resenha: A Fera

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A Fera

Título: A Fera
Subtítulo: 
Autor: Alex Flinn
Edição: 1
ISBN: 9788501090218
Editora: Galera Record
Ano: 2011
Páginas: 320





Sinopse: Eu sou uma fera. Uma fera. Não exatamente um lobo, ou um urso, um gorila ou um cão, mas uma terrível criatura que anda em duas patas — uma criatura com dentes e garras e pelos surgindo de cada poro de minha pele. Sou um monstro. Você acha que estou falando de contos de fada? De jeito nenhum. O lugar é Nova York. O momento é agora. Não sofro de uma deformidade ou uma doença. E vou ficar dessa forma para sempre — destruído —, a não ser que possa quebrar o feitiço. Sim, o feitiço, aquele que a bruxa da minha aula de inglês lançou sobre mim. Por que ela me transformou em uma besta que se esconde durante o dia e rasteja à noite? Vou lhe contar. Vou lhe contar como eu costumava ser Kyle Kingsbury, o cara que você gostaria de ser, com dinheiro, beleza e uma vida perfeita. E aí vou contar como me tornei... a fera. Alex Flinn adora contos de fada e fez suas duas filhas aguentarem dezenas de versões de A Bela e a Fera enquanto escrevia este livro... E aí perguntou a elas como uma fera agiria para encontrar uma garota em Nova York. É autora de outros cinco livros, vencedores de vários prêmios norte-americanos. Ela mora em Miami.


Resenha: Eu me enganei completamente ao pensar que Alex seria apenas mais uma escritora, entre um mundo deles, que escreveria alguma coisa sobre o lindo e majestoso clássico. Também estaria mentindo se dissesse não ser baseado. A pessoa que lerá A Fera, tem que estar ciente de algumas coisas: 1ª) O protagonista, Kyle, não é um príncipe, mas assim como o príncipe do clássico conto, ele também era rude, ignorante ao extremo e só se importava com ele mesmo. Claro que sim, caso não fosse isso, não haveria motivo para ter uma maldição. 2ª) A mocinha, não é nerd ou tão bela quanto a Bela (pequena ironia da frase). E finalmente 3ª), mas não menos importante, a bruxa má, não é má.

Bem, vamos começar pela capa do livro. Eu ainda não encontrei uma edição de capa anterior a esta mostrada mais acima. A capa é promocional do filme, contém os atores em uma pequena foto em círculo na parte superior da capa. Alex Pettyfer e Vanessa Hudgens. A capa é prontamente detalhada com rosas vermelhas de caules negros, isso funcionou para mim. Vou explicar melhor mais a frente. Ao todo foi uma excelente arte de capa.


CUIDADO: O texto a seguir pode conter spoilers

O livro gira em torno desse cara, Kyle Kingsbury. Ele é o namorado que toda garota sonha em ter e que nenhuma mãe deseja como genro. Ele é o cara que todos desejam ser, bonito, rico e famoso entre os círculos de amizade de sua escola e coisas do tipo. Ele é viciado em jogatinas e em estar na presença de mulheres de porte um tanto questionável. 
A narrativa do livro é bem tranquila e oscilante do início ao fim, pelo fato de ser narrado em primeira pessoa, na cabeça do próprio Kyle, algo que eu gostei bastante. Todos os autores ganham um ponto positivo comigo quando escrevem em primeira pessoa. Mas não acho que Alex tenha feito dessa forma para atrair público.
Em toda a minha vida, em meio a tantos livros, contos e crônicas em relação ao clássico A Bela e a Fera, eu nunca havia lido um que narrasse pela perspectiva da Fera. Foi uma experiência completamente nova e forte. 

Então chegou o dia do baile. O evento mais esperado de todo o ano. Todos estavam empolgados com a ideia de poderem exibir suas plumagens para os demais. Dias antes, Kyle havia feito apostas com os amigos, e lhes disse que chamaria Kendra Hilferty, a garota estranha e problemática da escola, somente para poder humilha-la perante todos. Então é ai que a minha personagem preferida do livro entra na história. 

Aparentemente, Kendra seria uma garota comum do colegial, tirando, é claro, seu vestuário e sua tendência para o lado punk gótico da coisa. Kendra na realidade se revela uma bruxa muito poderosa, porém seu coração não fora totalmente tomado pelas trevas, assim como as bruxas más que estamos acostumados a ver. Em determinado momento do livro, Kendra amaldiçoa Kyle, por tê-la humilhado, ou pelo menos tentado, em meio a todo o colégio.


"Olhei nos olhos dela. Seus cílios estavam diferentes. Mais longos, Balancei a cabeça.
- Não foi por isso.
- Foi por quê, então?
Seus lábios ficaram vermelhos como o sangue.
- O que esta acontecendo? 
- Já disse. Penitência. Você vai descobrir como é não ser bonito, ser tão feio por fora quanto é por dentro. Se apender bem a lição, talvez consiga desfazer o feitiço. Se não, terá que viver com sua punição para sempre."
- Kendra para Kyle.


Kyle não ficou tão diferente das feras que estamos habituados a ver nos livros. Ele é descrito, por ele mesmo, como tendo pelos saindo de cada poro de seu corpo, com garras afiadas nos lugares das unhas e presas imensas ao invés de caninos humanos. A maldição sofreu algumas alterações ao decorrer do livro, como por exemplo, a participação das flores. Na história construída por Alex, Kyle se apegou fortemente a arte da floricultura para poder matar seu tempo - esse foi o motivo por eu ter gostado tanto da capa do livro - ao contrário do clássico, que fez do passatempo da fera aprisionar humanos. No livro, Kyle teve por volta de dois anos para poder quebrar seu feitiço, já no clássico, a besta teria até seu 18º aniversário. As diferenças estão em todos os lugares, mas por mais que você tente, não há como não gostar do Kyle. Vou lhes explicar.

Algo que não mudou no livro, foi a personalidade da besta. Quando humano, era alguém terrível e sem coração. Não se importava com ninguém a não ser ele mesmo. Mas tudo mudou quando se viu obrigado a se enclausurar em seu castelo, ou no caso uma casa velha no coração do Brooklyn. As coisas também mudam com a chegada da Bela, ou no cado Linda. 
A fera se apresenta para a dama, a dama não o repudia logo de início, mas mantem aquele ar de incerteza em relação a ele. Aos poucos os dois vão se envolvendo de uma maneira calma e amena. O relacionamento de ambos começa a florescer e Kyle começa a ter esperança. Mas assim como no clássico, o feitiço só se desfaria com o amor verdadeiro. 

Falando assim, parece que o livro tem a mesma temática e aquela mesma pegada do que as demais histórias. Mas eu gostei de certas partes do livro em que Kyle se comunica com outras pessoas, amigos assim dizer, através de uma sala de bate-papo da internet criada por um suposto homem chamado Sr. Anderson. 
Alex criou um lugar descontraído e bastante diferente do que estamos acostumado a ver por ai. Nessa sala de bate-papo, existe um grupo de pessoas, ou coisas, que se reúnem para falar sobre as labutas da vida.
Nós temos o FeraNY, o nosso protagonista. Temos o Sapo, um príncipe que virou sapo através de uma bruxa. Também temos a SereiaSilênciosa, literalmente uma sereia que deseja ter pernas para poder encontrar seu amor verdadeiro, um marinheiro. Existe o HomemUrso, personagem no qual não consegui identificar e o próprio Sr. Anderson. 
Nessa sala conseguimos ver que a autora se inspirou não só no clássico da Bela e a Fera, mas em todos os mais diversos contos de fada. Em algum momento os Irmãos Grimm e até mesmo a Disney são mencionados. Isso nos mostrou que no mundo onde Flinn criou, existe todo tipo de magia e todo tipo de coisas bizarras acontecendo paralelamente com os de Kyle.

Também gostei do fato da autora ter feito da antagonista do livro alguém.. . bom. É, isso mesmo. A bruxa má da vez não é má. Kendra tende sim pro lado da ira algumas vezes, pode agir sem pensar em outras, mas eu posso lhes assegurar que ela sempre tem um motivo bom por detrás de tudo isso. Kendra não amaldiçoou Kyle por ele ter humilhado ela, mas sim pelo fato de estar farta com um mundo tão caótico e desumano quanto aquele, quanto o nosso. Ela quer um lugar onde todos possam conviver em paz com os demais. Ela consegue mudar as perspectivas das pessoas, seu modo de agir e pensar, mas as vezes precisa de um toque mágica.
Em vários momentos do livro, Kendra ajuda Kyle na jornada que ele deve fazer, aconselhando e dizendo o que é certo e o que é errado. Ela também lhe presenteia com um espelho que pode transmitir imagens em tempo real de qualquer lugar ou qualquer pessoa que ele deseje. Assim como no clássico. 

A Fera é cheio de ação, aventura, romance, traições e lições de moral. Ele nos faz sonhar alto, nos faz acreditar que o mundo não esta totalmente perdido, por que mesmo depois do prazo, as coisas podem sim ser revertidas.



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